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Chico Buarque

 Ouça um bom conselho

Que eu lhe dou de graça
Inútil dormir que a dor não passa

Espere sentado
Ou você se cansa
Está provado, quem espera nunca
alcança

Venha, meu amigo
Deixe esse regaço
Brinque com meu fogo
Venha se queimar

Faça como eu digo
Faça como eu faço
Aja duas vezes antes de pensar

Corro atrás do tempo
Vim de não sei onde
Devagar é que não se vai longe

Eu semeio vento na minha cidade
Vou pra rua e bebo a tempestade

Gilberto Gil

 Não me iludo

Tudo permanecerá do jeito que tem sido
Transcorrendo
Transformando
Tempo e espaço navegando todos os sentidos
Pães de Açúcar
Corcovados
Fustigados pela chuva e pelo eterno vento
Água mole
Pedra dura
Tanto bate que não restará nem pensamento
Tempo rei, ó, tempo rei, ó, tempo rei
Transformai as velhas formas do viver
Ensinai-me, ó, pai, o que eu ainda não sei

Geraldo Vandré*

 Meu senhor, minha senhora

Vou falar com precisão
Não me negue nessa hora
Seu calor, sua atenção
A canção que eu trago agora
Fala de toda a nação

Andei pelo mundo afora
Querendo tanto encontrar
Um lugar pra ser contente
Onde eu pudesse mudar
Mas a vida não mudava
Mudando só de lugar

Que a morte que eu vi no campo
Encontrei também no mar
Boiadeiro, jangadeiro iguais
No mesmo esperar
Que um dia se mude a vida
Em tudo e em todo lugar

Pra alegrar eu tenho a viola
Pra cantar, minha intenção
Pra esperar tenho a certeza
Que guardo no coração
Pra chegar tem tanta estrada
Pra correr meu caminhão

Já soltei o meu cavalo
Já deixei a plantação
Eu já fui até soldado
Hoje muito mais amado
Sou chofer de caminhão

Já gastei muita esperança
Já segui muita ilusão
Já chorei como criança
Atrás de procissão

Mas já fiz correr valente
Quando tive precisão
Amor pra moça bonita
Repeito pra contra mão
Saudade vira poeira
Na estrada e no coração

Riso franco, peito aberto
Sou chofer de caminhão
Se você não vive certo
Se não ouve o coração
Não se chegue muito perto
Não perdoo traição

Fui vaqueiro e jangadeiro
No campo e no litoral
Cantador serei primeiro
Cantando não por dinheiro
Por justo anseio geral

Riso franco, peito aberto
Vou cantar minha canção

Trechos escolhidos por José Aléssio

Chico Buarque

 Por esse pão pra comer, por esse chão pra dormir

A certidão pra nascer e a concessão pra sorrir
Por me deixar respirar, por me deixar existir
Deus lhe pague

Pelo prazer de chorar e pelo "estamos aí"
Pela piada no bar e o futebol pra aplaudir
Um crime pra comentar e um samba pra distrair
Deus lhe pague

Por essa praia, essa saia, pelas mulheres daqui
O amor malfeito depressa, fazer a barba e partir
Pelo domingo que é lindo, novela, missa e gibi
Deus lhe pague

Pela cachaça de graça que a gente tem que engolir
Pela fumaça, desgraça, que a gente tem que tossir
Pelos andaimes, pingentes, que a gente tem que cair
Deus lhe pague

Por mais um dia, agonia, pra suportar e assistir
Pelo rangido dos dentes, pela cidade a zunir
E pelo grito demente que nos ajuda a fugir
Deus lhe pague

Pela mulher carpideira pra nos louvar e cuspir
E pelas moscas-bicheiras a nos beijar e cobrir
E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir
Deus lhe pague

Caetano Veloso

   Enquanto os homens exercem

Seus podres poderes
Motos e fuscas avançam
Os sinais vermelhos
E perdem os verdes
Somos uns boçais

Queria querer gritar
Setecentas mil vezes
Como são lindos
Como são lindos os burgueses
E os japoneses
Mas tudo é muito mais

Será que nunca faremos senão confirmar
A incompetência da América católica
Que sempre precisará de ridículos tiranos
Será, será, que será?
Que será, que será?
Será que esta minha estúpida retórica
Terá que soar, terá que se ouvir
Por mais zil anos

Enquanto os homens exercem
Seus podres poderes
Índios e padres e bichas
Negros e mulheres
E adolescentes
Fazem o carnaval

Queria querer cantar afinado com eles
Silenciar em respeito ao seu transe num êxtase
Ser indecente
Mas tudo é muito mau

Ou então cada paisano e cada capataz
Com sua burrice fará jorrar sangue demais
Nos pantanais, nas cidades
Caatingas e nos gerais

Será que apenas os hermetismos pascoais
E os tons, os mil tons
Seus sons e seus dons geniais
Nos salvam, nos salvarão
Dessas trevas e nada mais

Enquanto os homens exercem
Seus podres poderes
Morrer e matar de fome
De raiva e de sede
São tantas vezes
Gestos naturais

Eu quero aproximar o meu cantar vagabundo
Daqueles que velam pela alegria do mundo
Indo e mais fundo
Tins e bens e tais

Paulo César Pinheiro

 Quando o muro separa uma ponte une

 Se a vingança encara o remorso pune

vem me agarra, alguém vem me solta

Você vai na marra, ela um dia volta

E se a força é tua ela um dia é nossa

Olha o muro, olha a ponte, olhe o dia de ontem chegando

Que medo você tem de nós

Você corta um verso, eu escrevo outro

Você me prende vivo, eu escapo morto

De repente olha eu de novo

Perturbando a paz, exigindo troco

Vamos por aí eu e meu cachorro

Olha um verso, olha o outro

Olha o velho, olha o moço chegando

Que medo você tem de nós.

Gonzaguinha

 Você deve notar que não tem mais tutu

e dizer que não está preocupado
Você deve lutar pela xepa da feira
e dizer que está recompensado

Você deve estampar sempre um ar de alegria
e dizer: tudo tem melhorado
Você deve rezar pelo bem do patrão
e esquecer que está desempregado

Você deve aprender a baixar a cabeça
E dizer sempre: "Muito obrigado"
São palavras que ainda te deixam dizer
Por ser homem bem disciplinado

Deve pois só fazer pelo bem da Nação
Tudo aquilo que for ordenado
Pra ganhar um Fuscão no juízo final
E diploma de bem comportado

Chico Buarque

 Como beber dessa bebida amarga

 Tragar a dor, engolir a labuta
 Mesmo calada a boca, resta o peito
 Silêncio na cidade não se escuta

 De que me vale ser filho da santa
 Melhor seria ser filho da outra
 Outra realidade menos morta
 Tanta mentira, tanta força bruta

 Como é difícil acordar calado
 Se na calada da noite eu me dano
 Quero lançar um grito desumano
 Que é uma maneira de ser escutado

 Esse silêncio todo me atordoa
 Atordoado eu permaneço atento
 Na arquibancada pra a qualquer momento
 Ver emergir o monstro da lagoa

 De muito gorda a porca já não anda
 De muito usada a faca já não corta
 Como é difícil, pai, abrir a porta
 Essa palavra presa na garganta

 Esse pileque homérico no mundo
 De que adianta ter boa vontade
 Mesmo calado o peito, resta a cuca
 Dos bêbados do centro da cidade

 Talvez o mundo não seja pequeno
 Nem seja a vida um fato consumado
 Quero inventar o meu próprio pecado
 Quero morrer do meu próprio veneno

 Quero perder de vez tua cabeça
 Minha cabeça perder teu juízo
 Quero cheirar fumaça de óleo diesel
 Me embriagar até que alguém me esqueça

 Pai, afasta de mim esse cálice
 Pai, afasta de mim esse cálice
 Pai, afasta de mim esse cálice
 De vinho tinto de sangue

Caetano Veloso

 vá, se mande, junte tudo que você puder levar

ande, tudo que parece seu é bom que agarre já

seu filho feio e louco ficou sou chorando feito fogo à luz do sol

os alquimistas já estão no corredor

e não tem mais nada, negro amor

a estrada é pra você e o jogo é a indecência

junte tudo que você conseguiu por coincidência

e o pintor de rua que anda só desenha maluquice em seu lençol

sob os seus pés o céu também rachou

e não tem mais nada, negro amor

seus marinheiros mareados abandonam o mar

seus guerreiros desarmados não vão mais lutar

seu namorado já vai dando o fora

levando os cobertores, e agora?

até o tapete sem você voou

e não tem mais nada, negro amor

as pedras do caminho, deixe para trás

esqueça os mortos, eles não levantam mais

o vagabundo esmola pela rua

vestindo a mesma roupa que foi sua

risque outro fósforo, outra vida, outra luz, outra cor

e não tem mais nada, negro amor.

Belchior

 Se você vier me perguntar por onde andei

No tempo em que você sonhava
De olhos abertos, lhe direi
Amigo, eu me desesperava

Sei que assim falando pensas
Que esse desespero é moda em 76
Mas ando mesmo descontente
Desesperadamente, eu grito em português
Mas ando mesmo descontente
Desesperadamente, eu grito em português

Tenho vinte e cinco anos
De sonho e de sangue
E de América do Sul
Por força deste destino
Um tango argentino
Me vai bem melhor que um blues

Sei que assim falando pensas
Que esse desespero é moda em 76
E eu quero é que esse canto torto
Feito faca, corte a carne de vocês
E eu quero é que esse canto torto
Feito faca, corte a carne de vocês

Gonzaguinha

 Ultimamente ando matando até cachorro a grito

E a plateia aplaudindo e pedindo bis

Nas refeições uma cachaça e às vezes um palito
E a plateia aplaudindo e pedindo bis

Ando tão mal que ando dando nó em pingo d'água
Só mato a sede quando choro um pouco a minha mágoa
Mas a plateia ainda aplaude ainda pede bis

De tanto andar na corda bamba eu sou equilibrista.
Equilibrando a vida e a morte eu sou malabarista
Mas não me queixo dessa sorte eu sou um comodista
E já me chamam por aí de verdadeiro artista

Pois a plateia ainda aplaude ainda pede bis
A plateia só deseja ser feliz


Marcos Valle

 A mão que toca um violão

Se for preciso faz a guerra,
Mata o mundo, fere a terra.
A voz que canta uma canção
Se for preciso canta um hino,
Louva à morte.
Viola em noite enluarada
No sertão é como espada,
Esperança de vingança.
O mesmo pé que dança um samba
Se preciso vai à luta,
Capoeira.
Quem tem de noite a companheira
Sabe que a paz é passageira,
Prá defendê-la se levanta
E grita: Eu vou!
Mão, violão, canção e espada
E viola enluarada
Pelo campo e cidade,
Porta bandeira, capoeira,
Desfilando vão cantando
Liberdade

Gonzaguinha

 Acreditava na vida

Na alegria de ser

Nas coisas do coração

Nas mãos um muito fazer

Sentava bem lá no alto

Pivete olhando a cidade

Sentindo o cheiro do asfalto

Desceu por necessidade

O Dina

Teu menino desceu o São Carlos

Pegou um sonho e partiu

Pensava que era um guerreiro

Com terras e gente a conquistar

Havia um fogo em seus olhos

Um fogo de não se apagar

Diz lá pra Dina que eu volto

Que seu guri não fugiu

Só quis saber como é

Qual é

Perna no mundo sumiu

E hoje

Depois de tantas batalhas

A lama dos sapatos

É a medalha

Que ele tem pra mostrar

Passado

É um pé no chão e um sabiá

Presente

É a porta aberta

E futuro é o que virá, mas, e daí?




Gilberto Gil

Se os frutos produzidos pela terra Ainda não são Tão doces e polpudos quanto as peras Da tua ilusão Amarra o teu arado a uma estrela E os tempos darão Safras e safras de sonhos Quilos e quilos de amor Noutros planetas risonhos Outras espécies de dor Se os campos cultivados neste mundo São duros demais E os solos assolados pela guerra Não produzem a paz Amarra o teu arado a uma estrela E aí tu serás O lavrador louco dos astros O camponês solto nos céus E quanto mais longe da terra Tanto mais longe de Deus

Milton Nascimento

Ao ver que o sonho anda pra trás E a mentira voltou Ou será mesmo que não nos deixara? A esperança que a gente carrega É um sorvete em pleno sol O que fizeram da nossa fé? Eu briguei, apanhei, eu sofri, aprendi, Eu cantei, eu berrei, eu chorei, eu sorri, Eu saí pra sonhar meu país E foi tão bom, não estava sozinho O povo era senhor E só uma voz, numa só canção E foi por ter posto a mão no futuro Que no presente preciso ser duro E eu não posso me acomodar Quero um país melhor

Belchior

 Quando eu não tinha o olhar lacrimoso

que hoje eu trago e tenho

Quando adoçava meu pranto e meu sono,
no bagaço de cana do engenho.

Quando eu ganhava esse mundo de meu Deus,
fazendo eu mesmo o meu caminho,
por entre as fileiras do milho verde que ondeia,
com saudade do verde marinho.

Eu era alegre como um rio,
um bicho, um bando de pardais
Como um galo, quando havia…
quando havia galos, noites e quintais.

Mas veio o tempo negro e,
à força,
fez comigo o mal que a força sempre faz
Não sou feliz, mas não sou mudo: hoje eu canto muito mais.

Sérgio Sampaio

 Fui tratado como um louco, enganado feito um bobo

Devorado pelos lobos, derrotado sim
Fui posto de lado e fui um marginal enfim
O pior dos temporais aduba o jardim

Como um rato de bueiro, como um gato de calçada
Velho mendigo da rua, cão de butiquim
Disse adeus e fui embora, nada é mais ruim
O pior dos temporais aduba o jardim

E eu, boêmio cantor da lua
Doido que não se situa
Fui procurar viver além de mim

E eu, simples cantor solitário
Entre malandros e otários
Vivo o que sou, ninguém vive por mim

Tudo tem seu preço exato, ninguém vai pagar barato
Tudo tem seu peso certo, tudo tem seu fim
Escapei da armadilha, agora estou aqui
O pior dos temporais aduba o jardim

Fui pro mato sem cachorro, numa de "ou mato ou morro"
Enfrentei um osso duro, duro de roer
Escapei dessa quadrilha, agora estou aqui
O pior dos temporais aduba o jardim

Zeca Baleiro

 Baudelaire, Macalé, Luiz Melodia

Quanta maldição!
O meu coração não quer dinheiro, quer poesia!
Baudelaire, Macalé, Luiz Melodia
Rimbaud – A missão
Poeta e ladrão
Escravo da paixão sem guia
Edgar Allan Poe tua mão na pia
Lava com sabão tua solidão
Tão infinita quanto o dia...
Vicentinho, Van Gogh, Luiza Erundina
Voltem pro sertão
Pra plantar feijão
Tulipas, para a burguesia
Baudelaire, Macalé, Luiz Melodia
Waly Salomão, Itamar Assumpção
O resto é perfumaria...

Ultraje a rigor

 A gente faz música e não consegue gravar

A gente escreve livro e não consegue publicar

A gente escreve peça e não consegue encenar

A gente joga bola e não consegue ganhar.

A gente faz carro e não sabe guiar

A gente faz trilho e não tem trem pra botar

A gente faz filho e não consegue criar

A gente pede grana e não consegue pagar.

A gente não sabemos nem escovar os dente

Tem gringo pensando que nóis é indigente

A gente não sabemos tomar conta da gente

A gente não sabemos escolher presidente.

Inútil! A gente somos inútil

Inútil! A gente somos inútil.



Luiz Zanin Orichio

 Todo vento soprava a favor do Brasil naquele final de anos 1950. Governo progressista, conquistas esportivas no futebol, no boxe, no tênis, indústria automobilística nascente, a nova capital sendo construída no meio do imenso país. O gigante despertara. E, além de forte, parecia elegante, gentil e inteligente.

Faltava uma trilha sonora à altura e ela ganhou forma em 1958,  quando um cantor chamado João Gilberto gravou no estúdio da Odeon um compacto em 78 rotações. As canções eram Chega de Saudade (Tom Jobim e Vinícius de Moraes) de um lado e Bim Bom, do próprio João, no outro. Esta é a certidão de nascimento da Bossa Nova, expressão artística que só receberia nome próprio tempos depois.
Havia anos que jovens músicos no Rio de Janeiro buscavam novos caminhos para a música brasileira. Gostavam de jazz e ouviam discos importados sem cessar. Para citar um exemplo, Roberto Menescal (entre outros) era devoto de um álbum chamado Julie Is Her Name, gravado em 1955 com a deusa Julie London e sua voz de travesseiro acompanhada pelo guitarrista Barney Kessel e pelo baixista Ray Leatherwood.

Julie interpretando Cry me a River é devastadora, mas os músicos só tinham ouvidos para os acordes dissonantes gerados pela guitarra de Kessel. O mapa da mina estava ali.
Faltava o ritmo e a sua invenção remonta ao mito. De acordo com ele, um João Gilberto meio sem rumo teria se hospedado na casa de sua irmã, em Diamantina, e tocava violão o dia todo, sem parar. Tinha predileção por ensaiar no banheiro, o que causava transtorno na ordem da casa.

Mas era lá, entre ladrilhos antigos, que João encontrava a ressonância ideal para seu violão e sua voz. Nesse ambiente pouco nobre nasceu a famosa “batida da Bossa Nova”, inventada por João Gilberto.
Ao voltar para o Rio, João trouxe a base rítmica e interpretativa que serviria de leme à ainda oficialmente não nascida Bossa Nova. Em depoimento a Zuza Homem de Mello (no livro Eis Aqui os Bossa Nova), Baden Powell diz que é como se, de uma escola de samba inteira, João ficasse apenas com os tamborins.

Só o osso, o diagrama, o essencial. São alterações harmônicas, rítmicas e do canto “pequeno”, associado mais à fala que ao dó de peito, que constroem a estrutura básica da Bossa Nova.

Estabelecidas suas bases sólidas, a Bossa se desenvolveu com intérpretes e compositores geniais, entre os quais sobressai Tom Jobim. Foi trilha sonora de uma geração (ou mais de uma), ganhou mundo e hoje é mais tocada lá fora que aqui. Em seu denso ensaio João Gilberto e o Projeto Utópico da Bossa Nova, o crítico Lorenzo Mammì define a Bossa como “promessa de felicidade”. Caetano Veloso afirma que o Brasil ainda precisa merecer a Bossa Nova.

Já se disse que uma música assim – sofisticada e simples ao mesmo tempo, elegante e inovadora, síntese de raízes nacionais e influências estrangeiras de alto nível (o jazz e a melhor música norte-americana, Villa-Lobos, Debussy e Ravel) – só poderia ter nascido em época otimista como a de Juscelino Kubitschek.

É tentador, mas complicado, praticar esse tipo de sociologia das artes, em que estas expressariam diretamente o momento histórico. Mas, com os devidos cuidados, a ligação pode ser feita. Ou alguém aí imagina alguma coisa parecida com a Bossa Nova surgindo no Brasil de hoje?



Roberto Damatta

     Fui condenado a passar 20 séculos no Purgatório pelo Sublime Tribunal Espiritual. Um dos magistrados me inocentou, mas, apesar dos emba...