O povo diz que Deus limitou a inteligência para que os homens não invadissem seus domínios. Pena, não ter feito o mesmo com a burrice humana. No Brasil um contingente formado, sobretudo, por pessoas que tiveram acesso a escolas de qualidade e às melhores fontes de informação acreditam piamente em especulações estapafúrdias sobre possíveis malefícios da vacinação.
Os argumentos para justificar suas crenças contradizem as evidências científicas mais elementares. Afirmam que as vacinas debilitam o organismo, impedem o desenvolvimento do sistema imunológico, causam alergias, autismo, retardo mental e outros males. Defendem essas crendices com ar de superioridade intelectual, como se estivessem diante de um interlocutor estúpido incapaz de entender a lógica cristalina de suas ideias, concebidas nos blogs e sites mais bizarros que infestam a internet. Não lhes falta segurança, vivem embrenhados numa floresta de certezas.
Discutir com um desses sábios é tarefa mais inglória do que convencer um judeu a rezar virado para Meca ou uma evangélica a receber a Pomba Gira. Apelam para a teoria da conspiração: os médicos estariam mancomunados com a indústria farmacêutica e o capital internacional para explorar a boa-fé de famílias indefesas. Essas sumidades têm todo o direito de discordar dos médicos e dos avanços científicos, mas deveriam ser coerentes. Por que não aconselham os filhos a fumar? As filhas a fazer sexo sem proteção?
Os que alegam razões ideológicas assentadas em argumentos pseudocientíficos para não se vacinar e os médicos que prescrevem vitaminas, extratos de plantas ou vacinas homeopáticas, devem responder criminalmente por expor pessoas ao risco de morte e a sociedade à disseminação de doenças.