Marcos Lisboa

      O inferno é povoado por mal-intencionados. Pouco se menciona, porém, os que de boa-fé abrem as portas das trevas; aqueles que, imbuídos das melhores intenções, por vezes causam malefícios de fazer inveja aos anjos tortos. Foi um desses anjos que propôs a Deus submeter Jó a muitos infortúnios de modo a testar a sua fé.

      Esse drama bíblico foi reescrito por Goethe. Dessa vez, a vítima foi Fausto, homem desejoso do conhecimento e da realização, mesmo que em troca da sua alma ao diabo. Goethe foi generoso e, no fim, tudo termina bem. Como em Jó, o diabo é enganado, o bem triunfa e o velho Fausto vai para o céu, depois de muitas provações e demasiados equívocos.

      Pena que na vida real nem sempre seja assim. Os crentes deveriam ler com cuidado as cláusulas do contrato antes de entregar as suas almas.


Roberto Damatta

     Fui condenado a passar 20 séculos no Purgatório pelo Sublime Tribunal Espiritual. Um dos magistrados me inocentou, mas, apesar dos emba...