Pessoas acreditarem em tolices não é exatamente novidade. Pode-se até afirmar que é o estado normal da humanidade. É disseminada, por exemplo, a crença no poder de cura dos santos e em milagres em geral. Para os que gostam de dar números às coisas, algumas pesquisas antigas do Datafolha. Sondagem de 2010 mostrou que 25% dos brasileiros creem em Adão e Eva e numa Terra com menos de 10 mil anos.
Levantamento de 2019 revelou que 26% não acreditam que o homem esteve na Lua e 7% pensam que a Terra é plana. A proporção dos terraplanistas não parece tão elevada, mas ainda assim constitui uma horda de quase 15 milhões de pessoas.
Parte da exuberância epistêmica pode ser atribuída à baixa escolaridade da população, mas só uma parte. Fiquei chocado ao ler sobre o grande número de ministros do STF que passaram por "terapias espirituais".
É assustador pensar que são pessoas dadas a essas crendices que tomam as decisões mais importantes para o país. Resta o consolo de que, em seus votos, eles não costumam recorrer à lógica dos espíritos.