Hélio Schwartsman

 Podemos pensar o Universo como uma batalha entre o bem, representado por Deus, e o mal, na figura dos demônios? No plano filosófico, estamos meio que condenados ao agnosticismo. Não há evidência de que exista um criador, mas, como ausência de evidência não é evidência de ausência, não podemos descartar a possibilidade de um demiurgo que se esconda de nós.

No plano comportamental o jogo é outro. Aqui há pouco espaço para o agnosticismo. Ou o sujeito age como se houvesse um Deus pessoal ao qual terá de prestar contas, ou como se não houvesse. E o surpreendente é que, mesmo entre os que se declaram religiosos, é pequeno o número daqueles que seguem à risca todos os mandamentos. Isso nos faz perguntar se os que se dizem crentes de fato acreditam em suas crenças. 

Roberto Damatta

     Fui condenado a passar 20 séculos no Purgatório pelo Sublime Tribunal Espiritual. Um dos magistrados me inocentou, mas, apesar dos emba...