Redes sociais têm poder monumental de espalhar notícias, viralizar piadinhas, destruir reputações e fazer brotar artistas que se transformam em fenômenos de audiência de uma hora para outra. Mas não são as principais formadoras de opinião na sociedade moderna, como alguns analistas apressados e superficiais apregoam. A tendência é que percam espaço como produtoras de conteúdo no futuro próximo.
As redes criam modismos, acentuam tendências e são fundamentais para mobilizar pessoas quando há um sentimento latente na sociedade. Mas elas operam num ambiente no qual a opinião pública, em determinado momento, está estabelecida.
As redes não alteram, "per se", valores e comportamentos. Podem pôr 100 milhões de robôs "tuitando" a cada minuto que não é para crer em Deus e o brasileiro seguirá, em sua grande maioria, acreditando em Deus.
A praga das "fake news" e dos robôs está acarretando monumental crise de credibilidade nas redes como meio de obter notícias confiáveis. Robôs são contas operadas por softwares que geram artificialmente conteúdo e estabelecem interações com usuários de carne e osso.
Você pensa que está debatendo com alguém, mas na verdade está se relacionando com algum algoritmo hospedado num provedor da Índia.
Os robôs fazem com que falsas repercussões sejam criadas nas redes, de tal maneira que seja possível manipular os "trending topics" e enviesar o debate.
Generaliza-se a ideia de que as redes são um espaço de entretenimento, exposição de sentimentos e manifestações de bom (ou mau) humor, mas uma seara perigosa para se obter uma informação ou uma análise política confiável.
Também não será possível identificar, em tempo real, se os grandes movimentos de opinião presentes nas redes são reais ou inflados por robôs que espalham "fake news".
Aí, crescerão em importância e credibilidade os meios de comunicação tradicionais, que construíram sua reputação ao longo de décadas; e os institutos de pesquisas, que mensuram a opinião de pessoas que pensam e sentem, e não de algoritmos fajutos.