O segundo mandamento da lei de Deus, conhecida como decálogo, é "Não usar o santo nome de Deus em vão". Alguém poderia objetar: que mal há em evocar o santo nome? Nenhum, se a pessoa se esforça por viver os valores ensinados pela Bíblia, considerada por nós, cristãos, a palavra de Deus.
A manipulação política do nome de Deus é velha como o cachimbo de Adão. Já no século 4 o imperador Constantino, ao perceber que a perseguição aos cristãos, movida pelo Império Romano, tornava seu governo cada vez mais impopular, se declarou convertido à fé cristã, cessou a repressão e deu aos bispos o status de príncipes. Pura cooptação da igreja para impedir que o império desabasse. E a prova de que sua suposta conversão consistia em golpe político é que só se deixou batizar ao se encontrar no leito de morte. Com certeza por via das dúvidas, por temer as penas do inferno...
Precisa-se estar atento ao fato de Jesus, no Evangelho, em especial no capítulo 23 de Mateus, criticar duramente não os ateus ou praticantes de outras religiões, mas os religiosos aproveitadores e corruptos de sua própria religião, o judaísmo. Tratou-os como "raça de víboras", "sepulcros caiados", "guias cegos", "hipócritas". Denunciou-os: "Não imitem suas ações, pois falam e não praticam. Amarram pesados fardos e os colocam nos ombros dos outros, mas eles próprios não estão dispostos a movê-los nem sequer com um dedo" (3-4).
Isso faz lembrar padres e pastores que falam mais do diabo que de Deus, ameaçam os fiéis com as penas do inferno, inflam nas pessoas os sentimentos de culpa, enquanto recolhem o dinheiro sofrido dos pobres para viverem como marajás. Por isso, estão dispostos a apoiar o governo que assegura seus privilégios, não cobra impostos das igrejas e concede a elas sistemas de rádio e televisão.