Nos últimos tempos, soubemos que o nazismo é de esquerda, o globalismo é vertente nefasta do marxismo cultural, ideologia é o que há de pior ainda que se confunda com ideias, e que a bela música Imagine de John Lennon é hino em prol da hiperglobalização, e do sonho comunista. Para os que dizem coisas como essas, privatizar é de direita, intervir no funcionamento dos mercados é de esquerda, priorizar o comércio internacional é de direita, combater a desigualdade de renda é de esquerda. Há apenas dois mundinhos: o da direita divina ou o da esquerda pagã. E, a política econômica, necessariamente, deve se enquadrar em algum desses mundinhos porque caso não o faça, não merece qualquer atenção – nem do bem, nem do mal.
Ocorre que, no Brasil, um governo social-democrata privatizou. Vários governos militares, que de esquerda nada tinham, intervieram no funcionamento dos mercados até não mais poder, causando os desarranjos que hoje muitos preferem esquecer. O comércio internacional sempre foi pauta tóxica que nem a direita, nem a esquerda quiseram abraçar. Afinal, o protecionismo sempre reinou absoluto no País tropical, abençoado por Deus, esse País em que dizer que Ele está acima de todos virou mote de campanha e de governo. O globalismo – Deus nos livre – torna o homem escravo e Deus irrelevante, avisam. Só não nos dizem exatamente como.
Tampouco nos iluminam sobre como o Brasil sairá do seu eterno isolamento global sem passar por algum processo que possa não ser identificado como globalização. A imigração é o mal do século, querem que acreditemos. Contudo, há estudo após estudo mostrando que políticas que facilitam a imigração são capazes de aumentar a produtividade e de impulsionar o crescimento. O espantalho da imigração simplesmente não existe no Brasil, onde quase não recebemos – mais – imigrantes. Os recebemos aos montes no passado, somos um País de imigrantes. Mas, é fácil esquecer disso na balbúrdia da atualidade.