Santo Agostinho escreveu que, entre as tentações do homem, nenhuma era mais perigosa do que a “doença da curiosidade”. Era ela que nos levava a tentar descobrir os segredos da natureza, “que estão além da nossa compreensão, que em nada nos beneficiarão e que o Homem não deve saber”.
Em outras palavras, o mesmo conselho que Deus deu a Adão e Eva no Paraíso, advertindo-os a não comer o fruto da árvore do saber para não contrair a doença. Eva – sempre elas – não se aguentou e comeu o fruto proibido. Resultado: perdemos o paraíso da ignorância satisfeita e estamos, desde então, tentando descobrir que diabo de Universo é este em que nos meteram, esta bola girando entre outras bolas num espaço imensurável, sem manual de instrução. Santo Agostinho e outros tentaram nos convencer a aceitar os limites da fé como os limites do conhecimento.Quanto mais se sabe sobre o funcionamento do Universo mais aumentam a perplexidade e a angústia das quais Santo Agostinho quis nos poupar. Pois não se pode compreender tudo – pelo menos não com este cérebro que mal compreende a si mesmo.