Lygia Maria

  O escritor norte-americano de histórias de terror e ficção científica H.P. Lovecraft (1890-1937) certa vez disse que “a emoção mais antiga e poderosa da humanidade é o medo, e o medo mais antigo e poderoso da humanidade é o medo do desconhecido”. 

O problema é que o mesmo medo que faz com que nos protejamos também é manipulado por governantes como forma de manutenção de poder. Por isso, em vez de personagens em um conto de ficção científica, estamos em um conto de terror. 

Segundo o filósofo Espinosa (1632-1677), o medo é o sentimento mais usado para manter a submissão passiva dos governados. Para ele, há dois tipos de paixões (sentimentos): as alegres e as tristes. No primeiro caso, são paixões que enaltecem a potência de pensar e de agir do indivíduo, como o amor e a amizade; no segundo, estão aquelas que esvaziam a força do indivíduo e o tornam ressentido, como o ciúme e, justamente, o medo.

Ditadores como Stálin e Hitler usaram o medo. Assim como as pontas de uma ferradura, que estão em lados opostos, mas próximas. Porém, segundo Espinosa, a melhor forma de vencer o medo é através da razão. Ou seja, não estimulando o medo, e sim buscando conhecer suas causas. Esse conhecimento nos liberta de superstições, nos ajuda a distinguir o falso do verdadeiro, a encontrar soluções menos passionais.


Roberto Damatta

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