Livros para entender o fascismo no Brasil

Os engenheiros do caos: como as fake News, as teorias da conspiração e os algoritmos estão sendo usados para disseminar ódio, medo e influenciar eleições

Autor: Giuliano da Empoli

Descrição: Aos olhos dos seus eleitores, as “deficiências” dos líderes populistas se transformam em qualidades, sua inexperiência demonstra que não pertencem ao círculo da “velha política”, e sua incompetência é uma garantia da sua autenticidade. As tensões que causam em nível internacional são vistas como mostras de sua independência, e as fake News, marca inequívoca de sua propaganda, evidenciam sua liberdade de pensamento. No mundo de Donald Trump, Boris Johnson, Matteo Salvini e Jair Bolsonaro, cada dia traz sua própria gafe, sua própria polêmica, seu próprio golpe brilhante. No entanto, por trás das manifestações desenfreadas do carnaval populista, está o trabalho árduo de ideólogos e, cada vez mais, de cientistas e especialistas do Big Data, sem os quais esses líderes nunca teriam chegado ao poder. É o retrato desses engenheiros do caos que Giuliano da Empoli nos apresenta, através de uma investigação ampla e contundente que vai muito além do caso Cambridge Analytica e remonta ao início dos anos 2000, quando o movimento populista global, hoje em pleno curso, dava seus primeiros passos na Itália. O resultado é uma galeria de personagens variados, quase todos desconhecidos do público em geral, mas que vêm mudando as regras do jogo político e a face das nossas sociedades.

Uma breve história das mentiras fascistas

Autor: Federico Finchelstein

Descrição: Neste livro breve mas abrangente, o historiador de renome mundial Federico Finchelstein explica por que os fascistas consideravam mentiras simples e muitas vezes odiosas como verdade, e por que muitos de seus seguidores acreditavam em suas falsidades. Ao longo da história do século XX, muitos defensores das ideologias fascistas consideraram mentiras políticas como a verdade encarnada em seu líder. De Hitler a Mussolini, os líderes fascistas capitalizaram com a mentira como base de seu poder e de sua soberania popular. Essa história continua no presente, no qual as mentiras parecem substituir cada vez mais a verdade empírica. Agora que as notícias reais são apresentadas como “fake News” e notícias falsas se tornam políticas de governo, Uma breve história das mentiras fascistas nos incita a lembrar que a atual discussão sobre “pós-verdade” tem uma longa linhagem política e intelectual que não podemos ignorar.

Sobre o autoritarismo brasileiro

Autora: Lilia Moritz Schwarcz

Descrição: Valendo-se de uma ampla reunião de dados estatísticos, Lilia M. Schwarcz examina algumas das raízes do autoritarismo brasileiro, bastante antigas e arraigadas, embora frequentemente mascaradas pela mitologia nacional. Os brasileiros gostam de se crer diversos do que são. Tolerantes, abertos, pacíficos e acolhedores são alguns dos adjetivos que habitam frequentemente a mitologia nacional. Neste livro, Lilia M. Schwarcz reconstitui a construção dessa narrativa oficial que acabou por obscurecer uma realidade bem menos suave, marcada pela herança perversa da escravidão e pelas lógicas de dominação do sistema colonial. Ao investigar esses subterrâneos da história do país — e suas permanências no presente — a autora deixa expostas as raízes do autoritarismo no Brasil, e ajuda a entender por que fomos e continuamos a ser uma nação muito mais excludente que inclusiva, com um longo caminho pela frente na elaboração de uma agenda justa e igualitária.

Como funciona o fascismo: a política do “nós” e “eles”

Autor: Jason Stanley

Descrição: Fascismo: originalmente, regime de cunho ideológico estabelecido pelo ditador Benito Mussolini na Itália da década de 1920, que valoriza ideais de nação e raça em detrimento dos valores individuais e é representado por um líder autoritário. Mas por que esse termo voltou à ordem do dia em pleno século XXI? À luz de episódios recentes de democracias que enveredaram para regimes mais ou menos totalitários; de líderes democraticamente eleitos que usam retóricas fascistas para fazer política, como Donald Trump; mas também bebendo no extenso histórico do fascismo – de Mein Kampf, de Hitler, aos discursos fratricidas que levaram ao genocídio de Ruanda na década de 1990 –, ­Jason Stanley analisa a estrutura comum por trás de todas essas experiências. Ele estabelece os dez principais fundamentos do fascismo, entre os quais encontramos: a ideia de reviver um passado mítico e glorioso; o uso de propaganda para distorcer e minar conceitos e instituições democráticas (tendo como pretexto o combate à corrupção); ataques a universidades e intelectuais; uma forte ­noção de hierarquia; a política da lei e da ordem baseada na ideia de grupos minoritários criminosos; e a valorização do “trabalho duro” em prejuízo de sistemas de bem-estar social. Tais mecanismos apoiam-se uns aos outros simbioticamente, criando e reforçando divisões, ao mesmo tempo em que minam os pilares da democracia – eleições livres, judiciário independente, liberdade de expressão e de imprensa etc. – que poderiam conter a ascensão totalitária. A história nos mostra o imenso perigo de subestimar o poder cumulativo dessas táticas, que deixam a sociedade cada vez mais vulnerável aos apelos da liderança autoritária. Apenas identificando as políticas fascistas, o autor argumenta, poderemos resistir a seus efeitos mais danosos e retornar aos ideais democráticos.

O Brasil dobrou à direita: uma radiografia da eleição de Bolsonaro em 2018

Autor: Jairo Nicolau

Descrição: Uma análise contundente das eleições de 2018, o evento mais impressionante da história eleitoral brasileira, a partir de dados e gráficos estatísticos. Qual o perfil dos eleitores de Jair Bolsonaro? De que segmento social fazem parte? Qual sua escolaridade, idade, gênero e religião? Em suma: Quem votou em Bolsonaro? Utilizando gráficos e dados comparativos, o cientista político Jairo Nicolau faz uma radiografia do surpreendente desempenho de Jair Bolsonaro e do PSL nas eleições de 2018, que levaram o país a uma radical guinada à direita. Estudioso do processo eleitoral brasileiro, Nicolau apresenta e analisa os números que elegeram um nome até então relativamente inexpressivo no cenário mais amplo da nossa política, esmiuçando pontos centrais como a relação entre tempo de TV, dinheiro e voto; as redes sociais; o voto das mulheres e dos evangélicos; o voto por regiões, estados e cidades. O Brasil dobrou à direita traz uma contribuição decisiva para o debate desapaixonado sobre o fenômeno do bolsonarismo nas urnas e sobre as transformações que mudaram o rumo do Brasil. Um livro fundamental para se entender o que aconteceu e o que pode acontecer nas próximas eleições.

Terceiro Reich no poder

Autor: Richard J. Evans

Descrição: Como foi que os nazistas conquistaram o coração e a mente dos cidadãos alemães, distorceram a ciência e a cultura e colocaram o país no caminho de outra terrível guerra? Neste segundo volume da trilogia que conta a história do Terceiro Reich, o renomado historiador Richard J. Evans traz o relato definitivo da ditadura de Hitler entre 1933 e 1939, e mostra a impressionante nuvem de terror que se apoderou da Alemanha depois de os nazistas tomarem o poder.

As origens do fascismo

Autor: Robert Paris

Descrição: Quais foram os responsáveis pelo aparecimento do fascismo na Itália? A ‘massa de manobra’ constituída por pequeno-burgueses? As contradições econômicas entre o Norte industrializado e o Sul agrícola? O apoio dos Círculos Dirigentes? Robert Paris tenta responder a essas perguntas à medida que compõe o quadro da historia italiana num período marcado pela violência aberta e caracterizadora, pelas lutas entre os partidos políticos e pelas manifestações sindicalistas. E é a profundidade de sua análise que faz deste livro um estudo de grande importância para a compreensão do fenômeno, não apenas em sua dimensão peninsular.

Fascismo à brasileira: como o integralismo, maior movimento de extrema-direita da história do país, se formou e o que ele ilumina sobre o bolsonarismo

Autor: Pedro Doria

Descrição: Se é inegável que entende melhor o presente quem conhece o passado, é fundamental conhecer o integralismo para compreender a essência do bolsonarismo. Sim, o Brasil teve um movimento fascista e anticomunista na sua história na mesma época de Mussolini e Hitler. Fundado pelo deputado e jornalista Plínio Salgado, a Ação Integralista Brasileira foi o maior movimento fascista fora da Europa entre os anos 1920 e 1940 – e também o maior movimento de extrema-direita no país até o surgimento de Jair Bolsonaro. Era uma organização nacionalista, autoritária e tradicionalista. Chegou a ter um milhão de adeptos que eram conhecidos como os “encamisados” ou “camisas- verdes” por se vestirem de verde – como se vestiam de preto os discípulos de il duce na Itália e de cáqui a legião de seguidores do führer na Alemanha. Inspirado pelos líderes europeus, Plínio era anticomunista e defendia as ideias do fascismo, entre elas a defesa de uma identidade nacional e a crença de que a salvação da pátria exigia tanto a obediência a um “salvador da pátria” como a destruição dos inimigos internos. Como instrumentos, pregava a violência e o militarismo ao mesmo tempo em que tinha como valores fundamentais a família e a religião. Apesar de ter durado poucos anos, a Ação Integralista Brasileira contou com expoentes como o jurista Miguel Reale, o antropólogo Câmara Cascudo, o arcebispo Dom Hélder Câmara, o escritor José Lins do Rego e, testemunhas dizem, até o músico e poeta Vinícius de Moraes. Em Fascismo à brasileira, Pedro Doria conta esse momento pouco estudado da história brasileira com uma riqueza de detalhes que permitirá ao leitor não só conhecer o integralismo como fazer, ele próprio, as conexões entre passado e presente.

Fonte: Jornal Prédio 3 – JP3 é o periódico on-line dos alunos e antigos alunos da Faculdade de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie, organizado pelo Centro Acadêmico João Mendes Júnior e a Associação dos Antigos Alunos da Faculdade de Direito da Universidade Mackenzie (Alumni Direito Mackenzie). 

Roberto Damatta

     Fui condenado a passar 20 séculos no Purgatório pelo Sublime Tribunal Espiritual. Um dos magistrados me inocentou, mas, apesar dos emba...